Prelúdio

Depois de percorrer a terra, a água sobe. Desfaz-se em vapor, atravessa o ar e alcança o céu. Ali, suspensa entre o que foi e o que ainda será, transforma-se em nuvem: a água em estado de espera.

Há uma delicadeza silenciosa nesse instante. Tudo parece imóvel, mas a transformação já começou. A nuvem não interrompe o percurso da água. Ela apenas lhe oferece outra forma de existir. É ali que o invisível ganha corpo.

E então, a chuva. Não como um fim, mas como continuação. Cada gota que retorna à terra carrega consigo a memória do caminho que percorreu: o calor que a elevou, o vento que a conduziu, a luz que atravessou seu corpo transparente.

A água nunca volta a ser a mesma. Ainda assim, nunca deixa de ser água. Talvez seja essa sua maior beleza: transformar-se continuamente sem abandonar a própria essência.

Prelúdio nasce desse movimento. Das nuvens que anunciam a chuva antes da primeira gota. Da luz que atravessa o vapor e revela sua presença. Dos cristais que guardam, em silêncio, a memória da água.

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